segunda-feira, 25 de abril de 2016
sábado, 23 de abril de 2016
sexta-feira, 22 de abril de 2016
quinta-feira, 21 de abril de 2016
Contracapa de Alpinista
Carlos Alfredo Couto Amaral nasceu em Mangualde em 1960. Licenciado em Filosofia. Professor na Escola Daniel Sampaio (Sobreda de Caparica). Mestre na Simbologia e
Estética de Nietzsche. Encenador e dramaturgo, escreveu (G)Estação dos Afetos; Meu Fado quase uma estória pirosa de amor, 2013 (Edição em parceria com José Teixeira e Xico Braga), levadas à cena pelo GITT. Publicou poesia: A Sombra dos Momentos Felizes (Edições Colibri, 2000); Sereno Fluir das Horas (Edições Colibri, 2004); Desflorar da Flor de Sal (Minerva Editora 2010). Nos encontros de professores galegos e portugueses da paz orientou oficina de escrita criativa (2013 a 2015).
Alpinista Descendente é a metáfora da vida. Ascendemos com o ideal
aceso no coração. O hábito valoriza o esforço da ascensão, embora quaisquer
momentos tragam sentido à existência. Mesmo nos instantes em que nos bastidores
desmontamos a cena. Para o alpinista existencial na escalada há a possibilidade
da “queda”, ou, a inevitabilidade do ato descendente (até ao arrumar das
cordas). Será irónico o título? Se a apologia cuida da ascensão, contudo, este
alpinista, à luz Sísifo, também é descendente… o que não deixa de rimar com
decadente… (mas a rima é branca).
quarta-feira, 20 de abril de 2016
POSFÁCIO de ALPINISTA DESCENDENTE
No silêncio dos
dias intensificam-se impulsos, dedilhando as cordas da poesia, entre a ebulição
dos sentimentos e as emoções meridionais, num tempo por definir, onde se
pincela o lado bom das palavras, formando um tapete para o “Alpinista descendente” onde o poeta toma
em si uma multiplicidade de sensações.
Neste tomo de
poesia, Carlos Amaral tenta comunicar, fazer passar as suas ideias, aquilo que
vai no seu âmago e “as palavras sabem a música”! Quantas letras no fundo de si,
em delírio? A força de ser abre diversas portas para o mundo e a necessidade de
encontrar a realidade desnudada é outra questão intensa, patente na obra em
causa. Procura a normalidade ante a agitação do quotidiano e os seus versos
primem essa situação onde o ar parece rarefeito.
A natureza tem
uma função apaziguadora, entre o vento, a água, as libelinhas e os nenúfares… o
lírio azul, a borboleta e a neve… elementos na caça ao colorido. Imagens
fulcrais estas, para nos levar de uma forma mais sublime ao mundo da realidade,
no namoro dos arquétipos da natureza.
Pautam-se
ritmos, o dedilhar da pele, a passagem dos dedos, o “rio que refresca os pés” e
“o horizonte alivia a mente” do poeta. Qual perfeita orquestra pronta para
fazer tocar-nos a alma! Todo um corpo mental e físico de sensações “abrindo a
imaginação”, elevando um cálice de vinho, bebendo os poemas um a um e nunca
serão os mesmos. A poética aqui presente pauta-se por odores coloridos,
tentações e inquietações onde os relógios celebram o seu tempo em espiral,
segundo a segundo no corpo que oscila no silêncio dos prazeres ao mausoléu do
silêncio. Entre tantas sensações qual a sensação de se estar na relação com o
mundo?
Neste seu livro
“Alpinista Descendente”, avança por
um percurso graduado, tomado de energias e impulsos que se vão renovando, na
encosta da dúvida, para “encontrar medida à luz da escala reduzida”. Ritmos que
o abatimento cardíaco rouba ao silêncio, na ascensão da vida a um arremesso de
réstia fria na montanha da existência.
A descrição e
imagens que Carlos Amaral usa nos seus trabalhos poéticos são de uma riqueza
maior, fogem ao vulgar, imprimindo um manancial de figuras estilísticas, acaso
se faça uma leitura atenta da sua obra. O ritual poético concebe um ouvido
atento que desperta a atenção do leitor, deixando uma janela aberta no
relicário vático.
Metamorfoses de
sentido entre as portas invisíveis da poesia e o tempo que possibilita a
mudança, por diferentes timbres e aromas de sentido. A inquietação da alma
escreve nos laivos do arco-íris, uma panóplia de cores que traduzem a
diversidade de sentimentos e emoções, um “isto”, que colhe o “pólen nos
apetites da luz”, lugar secreto da interpretação que o amor oculta,
discretamente.
Esta poesia
ilumina a mente dos leitores, traça realidades ímpares, por vezes “espelhos
paralelos”, infundindo o mistério da imagem e dos mitos que são um motivo de
reflexão de um aqui cimeiro. O poeta nesta obra apresenta o seu estilo próprio
e o traço do “Alpinista Descendente”
que transpira de sentidos metafísicos ao tanger da metáfora do ser.
Da leitura
sobranceira assiste-se a realidades e prolongamentos da aurora boreal, na
decantação das sensações a uma suposta metamorfose do espírito, pautando
tempestades platónicas ao crivo de Lao-Tsé, por novas esferas de conceber o
mundo; tempestades de sentir e divagações poéticas entre o juízo do gosto que
por vezes permite trocar as regras do jogo na relação com os outros. Carlos
Amaral no “Alpinista Descendente”
realça a importância dos elementos da natureza, entre a palavra e o silêncio, o
sol e a lua, ao simples beijo e a melancolia da idade à delicadeza do colibri e
o seu triunfo de sorver o mel das flores emplumadas, harmonia e realidades
complementares. Neste seu trabalho assiste-se a uma força original, a um fluxo
que gera uma nova força, por um princípio filosófico que absorve e nos deixa
lançados a novas respostas num lago de desejos e ritmo, poesia de uma nova
postura, fugindo às métricas e rimas tradicionais e cheias de monotonia...
Grandezas e posturas no seu poema: “Perícia do voo”, onde se “abrem portões ao
fundo das sombras”, é este voo, o convite que o Carlos Amaral nos faz, na
tentativa de desprendimento dos relógios do tempo, do acaso entre os casos, das
resistências, possam ser políticas ou não, bem como aos impulsos que nos
assaltam quando menos esperamos. A mente é a central do mundo de cada qual,
absorve o que a envolve e a mesma devolve o que não interessa e “devia
entregar-me à alegria / que a tristeza é manca / cega de um olho / em luto de
algo a perder”… e navega-se entre afetos e fantasia, vezes sem conta
confundindo o caminho traçado um dia, carecendo o nome para o completar…
E para onde
vamos? E se vamos, porque vamos? Onde é o fim do mundo? Num dos seus poemas
magistrais “Intuição poética”, atenta-se à sensibilidade, ao significado, ao
verbo com o intuito de comunicar, mitigando o tédio, com a esperança de
imprimir a sequência dos aromas… e o Carlos Amaral é “profeta, adivinho da
sensibilidade…” e o “poeta é um fragmento das estrelas”… “pedaço de palavra
emocionada”! E o que resta do plenário poético? “Intuições” que “amassam o
grito à solidão”, sendo esta a volúpia e a companhia, no exílio do
encarceramento poético; afinal o que é que está no poeta e o que é que se separou
de si?
Sonhos e
delicadas especulações… são os trilhos do amor, o deserto e o banquete das
sensações e tudo isso confere forma à alma do poeta, apesar das inquietações
existenciais a que nos lança, deixando-nos “na ilha do tempo…” onde “o
sentimento dá sentido / galga a aridez do deserto / Cala o silêncio no peito…”
e “desperta a aurora das emoções” uma nova vertente de conceber o que está em
torno daquele que sente.
A poesia de
Carlos Amaral conduz-nos a um arrebatamento, pelo puro sentido da sua forma,
quando o leitor ou ouvinte se deixa tomar por ela; no traço audacioso da sua
escrita, solta um toque especial por cada verso; como a conjugação das notas
numa composição, executadas na lira das palavras que bebem da interioridade; o
belo enceta na sua poesia uma relação, entrega efusiva de sentimentos e
emoções, independentemente da sua natureza, assim, o poeta absorve do princípio
do prazer, face à simetria do sentido, um mundo cheio de cadências e pontos de
execução que vão dando sentido à sua vida.
Palavras do
diário da alma na sinfonia da viagem existencial… escrever é existir! O poeta
deixa-nos conceitos do sentir e da imaginação concebendo a sua epopeia
filosófica, na destilação do verso, pelo marulhar da metamorfose das formas
poéticas, nas ruas do sonho, ao ritmo das situações a que se expõe, guarnecendo
a malha de um novo mundo. O trabalho presente é um convite à reflexão
filosófica, de caris ontos
existencialista e assim se navega nas palavras entre as sensações e a
consciência de situação. O momento por cada vez é sempre único, procura-se a
essência daquilo que é, no esplendor metafísico das Ideias, à moda platónica!
Neste livro assiste-se a uma viagem poética com imensas estações entre o
sensível e o inteligível, no diverso das rédeas da estética literária e
filosófica. O convite fica feito…
Carlos Amaral
está de parabéns por este seu exemplar trabalho “Alpinista Descendente”, fica o convite para a leitura da obra, onde
deve ser feita devagar e saboreando o teor dos conceitos e tónus poético.
Tavira, 02 de
Janeiro de 2016
Jorge Ferro Rosa
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Na vertigem do Alpinista
Os
músculos tensos
vencem
as alturas
o
espírito encontra
a
dádiva no ar rarefeito
O
Alpinista Descendente de Carlos Couto Amaral, trazido a público pelas Edições
Colibri, trata estados emocionais experienciados
entre píncaros e vales: na Estrela ascende com quatro estações num dia; nos
Picos da Europa escala entrincheirado entre ravinas; alcançando nos Alpes a vertigem
e a beleza que sacodem o aventureiro. Na viagem pelas montanhas busca a
plenitude, as sensações naturais, a serenidade. O Alpinista abandona o frenesim urbano e alcança o
que ambiciona: neblinas, córregos de água, plantas exóticas, sons bucólicos,
ares rarefeitos, tranquilidade… Renova a ousadia e a entrega nas arriscadas sendas,
que aliviam a alma do peso e da saturação. Enfim os sonhos concretizados reforçam
a vontade. E, as narrativas poéticas lapidam sensações brutas.
O
poeta
é
um fragmento das estrelas
é
a gota do mar
é
palavra emocionada
O
Alpinista Descendente
faz a apologia de Sísifo feliz, nos
atos que trazem ao homem certa grandeza, mesmo que vã, consciente dos esforços na
ausência de transcendência. O mesmo é dizer que superamos o absurdo através
do esforço e da luta.
Em
queda
Sísifo
encontra motivos
no
intervalo proibido
O
Alpinista Descendente,
com o despojamento, na ascensão liberta-se do peso; já ao descer integra o pensamento,
aligeirando o mundo das fragas vencidas.
Desce
à
planície
alegria
sem
peso
O poeta concretiza a viagem
simbólica… O Alpinista Descendente
quer ar puro, a renovação, ampliando horizontes que dilatem a alma:
irei
ao começo dos tempos em demanda do segredo
irei
ao cume da montanha em demanda da aurora
A cinestesia identifica a
dinâmica da aventura na demanda que cruza desejos, ideais, sensações, imagens. No
quarto livro poético, Carlos Couto Amaral apostou na depuração estética, na
quase ausência de pontuação, e na verticalidade da escrita sob a analogia do
percurso escarpado.
Sonha
Ícaro
a
furtar
a
cera
às
abelhas
e
a altura
em
metamorfose
escuta
atrás
das
portas
invisíveis
O alvoroço da escalada liberta
adrenalina. Na disputa com o gigante o prazer é proporcional ao esforço. Há um
deslize de palavras colhidas na inspiração do acaso. A serra sem um caderno pode
tornar-se esmagadora, mas a vontade da montanha exprime-se por meio do poeta, superando
opressões e receios.
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