sábado, 20 de agosto de 2016

(Micro)conto onde se prova que nos restaurantes chineses os clientes podem desaparecer de muitas maneiras, apesar de serem locais fantásticos com pessoas simpáticas a acolherem-no

Um bule de chá, amendoins e uma espera pelo meio. Não falamos do restaurante deserto. Eu e os sorrisos das empregadas chinesas. O frasco do molho de soja está vazio: era veneno. Está explicado o fato do restaurante estar deserto.
--  Carlos Amaral

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Das pessoas que sabem tudo, ou o dilema da sabedoria inquestionável.

Incluído num dos meus próximos livros, este de micro contos:
"Ela pensa ser o umbigo do mundo. Se alguém lhe faz frente: KAPUT fica tudo estragado. “Sois por mim ou contra mim?; Franziste o nariz ao que digo, estás liquidado”: PUM! PUM!"







domingo, 29 de maio de 2016

Luto porque acredito

Uma sessão de autografo na feira do livro, geralmente é um momento de tédio, para autores solitários exibidos em montra. Não foi anteontem o caso! Tive uma corrente humana constante de leitores amigos a honrarem-me com a sua presença num diálogo literário frutuoso.
Luto pelas minhas obras, divulgando-as, por acreditar profundamente no meu modo de escrever, à imagem do que afirmo num poema: "mesmo que ninguém me oiça digo e assim fica dito". Não trato coisas triviais -- um pecado para muitos, que apreciam só o que entendem á primeira -- o leitor comigo joga na busca dos significados. Quando aprende a gostar: ADORA! Este é o reflexo que vou tendo, a par de me dizerem que o estilo é: "depurado", "mágico", "cinestésico", "modo de escrita que faz o nosso tempo"...

domingo, 15 de maio de 2016

ABERTURA

                                 O

                               foco

                           da neblina

                        matiza o jardim

                     em aguarela de luz


quinta-feira, 12 de maio de 2016

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Entrevista na CriaPromove

CriaPromove
**De Portugal para o mundo!


Entrevista
ao poeta, escritor,
dramaturgo e encenador


«(…) destaco
Alpinista Descendente enquanto metáfora da vida. Ascendemos com o ideal aceso no coração. O hábito valoriza o esforço da ascensão, embora quaisquer momentos tragam sentido à existência. (…)»
Carlos Alfredo Couto Amaral nasceu em Mangualde em 1960. Licenciado em Filosofia. Professor na Escola Daniel Sampaio (Sobreda de Caparica). Mestre na Simbologia e Estética de Nietzsche. Encenador e dramaturgo, escreveu (G)Estação dos Afetos; Meu Fado muito mais do que uma pirosa estória de amor, 2013 (Edição em parceria com José Teixeira e Xico Braga), levadas à cena pelo GITT. Publicou poesia: A Sombra dos Momentos Felizes (Edições Colibri, 2000); Sereno Fluir das Horas (Edições Colibri, 2004); Desflorar da Flor de Sal (Ed. Minerva, 2010); Alpinista Descendente (Edições Colibri, 2016). Nos encontros de professores galegos e portugueses para a paz orientou oficina de escrita criativa (2013 a 2015).



1.    CriaPromove: Caro poeta, escritor e dramaturgo Carlos Couto Amaral, a sua participação no nosso projeto de promoção/divulgação é para nós um enorme prazer. Queira fazer o favor de partilhar connosco (e com o público leitor) as motivações que o levaram a enveredar pelo fascinante mundo da escrita (poesia, ensaio, teatro, romance) e do teatro/dramaturgia/encenação.

Carlos Couto Amaral: Encetei o percurso literário, há mais de quinze anos, devido ao gosto de partilhar as obras que ia escrevendo, a par de uma alergia à ideia de encerrar os “escritos na gaveta”. Passei a colaborar em revistas literárias; lancei-me nas edições de cinco livros; aventurei-me nas performances e representações teatrais. Movido pela autodescoberta e encontro com o outro. Deste modo, senti que me realizava intensamente numa transcendência estética.

         

2.    CriaPromove: Fale-nos do processo de construção das suas obras literárias e das suas peças de teatro bem como das dificuldades que sente (ou não) na sua elaboração e na afirmação das mesmas junto dos leitores e dos espetadores.

Carlos Couto Amaral: Cultivo a escrita diariamente, primeiramente de rompante, depois é um processo lento de purificação interminável, movido pelo prazer da palavra e na persistência do trabalho. A par disso, tenho criado um público leitor e expetador ao longo dos anos, quiçá, devido ao facto de levar à cena no GITT muitos dos meus textos: poéticos, dramáticos, filosóficos. Agora preparo a adaptação de um romance ao teatro. Sem contar com as dezenas de performances irreverentes que tenho desenvolvido pelo país. Sinto a escrita deste modo a ganhar projeção e outra voz própria, pois, tornar-se: audível, visível, adquirindo outro vulto e entendimento.

3.    CriaPromove: Se possível, faça-nos um pequeno resumo da sua obra mais emblemática (livro e/ou peça de teatro) e destaque um ou dois temas que possam eventualmente gerar mais interesse, polémica e/ou surpresa junto do público leitor/espetador.

Carlos Couto Amaral: Por ser a obra mais recente, destaco Alpinista Descendente enquanto metáfora da vida. Ascendemos com o ideal aceso no coração. O hábito valoriza o esforço da ascensão, embora quaisquer momentos tragam sentido à existência. Mesmo nos instantes em que nos bastidores desmontamos a cena. Para o alpinista existencial na escalada há a possibilidade da “queda”, ou, a inevitabilidade do ato descendente (até ao arrumar das cordas). Será irónico o título? Se a apologia cuida da ascensão, contudo, este alpinista, à luz Sísifo, também é descendente… o que não deixa de rimar com decadente… (mas a rima é branca).
       

4.    CriaPromove: A que tipo de pessoas (eventuais leitores e espetadores) poderá interessar mais a sua obra (escrita e teatral) e porque razão ou razões.

Carlos Couto Amaral: As minhas obras: poéticas, dramáticas, e romances são geradas em sofrimento e prazer, com corpo e alma, daí destinarem-se a todas as idades, desde os meus jovens alunos, aos adultos exigentes, até às pessoas idosas (muito experientes). Recebo de todos uma afetuosa receção. Em simultâneo, os comentários e recensões criticas incentivam-me a continuar a escrever com empenho e paixão.


5.    CriaPromove: Partilhe conosco e com o público leitor a forma mais prática e eficaz de se comprar/adquirir os seus livros.

Carlos Couto Amaral: Os meus livros são adquiridos em feiras do livro, nos contextos das performances que faço, junto das livrarias, ou encomendados na FNAC. Podem ainda contatar as editoras dos meus livros (Edições Colibri e Ed. Minerva). Um dos títulos pode ser também encomendado pela WOOK (Bertrand) em:

       

6.    CriaPromove: Queira destacar e partilhar conosco e com o público leitor o seu melhor projeto literário/criativo até agora. Fale-nos também dos eventuais projetos para o futuro (livros, peças de teatro e/ou outros).

Carlos Couto Amaral: Tenho no prelo um romance, prestes a ser publicado: Falatório do Tempo. Por outro, creio que a última obra editada é a que aquece, de momento, mais o âmago. Alpinista Descendente apresenta a transposição para a poesia de inúmeras experiências de montanhismo e de vida. Confronto-me com a descoberta dos próprios limites e com a transfiguração artística, que primeiro me extasia, e depois acredito, extasiará o leitor.

7.    CriaPromove: Qual a sua opinião e sensibilidade sobre o mercado livreiro em Portugal e na Europa? O que melhoraria e o que alteraria neste complexo mercado?

Carlos Couto Amaral: A promoção efetuada pelo autor é arrojada e envolvente. Mas, as editoras podem sempre fazer muito mais, quer na distribuição, quer na divulgação, quer na abertura a outras estratégias mais empenhadas, indo muito além dos lançamentos das obras. Pela minha parte, por ora, estou também interessado em entrar noutros mercados internacionais. A tradução de algumas das minhas obras será um desafio e um dos passos seguintes…

8.    CriaPromove: Sabemos que infelizmente a Comunicação Social tradicional (Imprensa / Rádio / Televisão) dá pouco destaque aos Escritores e aos homens do Teatro e os poucos que são “falados”, acabam sempre por ser os mesmos. O que pensa disto e o que propõe para que os Media passem a fazer o seu trabalho e a terem  de facto uma atitude de equidade e de justiça?

Carlos Couto Amaral: Creio que, neste contexto, vivemos uma crise de valores, pois, sofremos de uma crítica literária incipiente, por exemplo o JL, a Ler, a Estante (exceção ao último número, até que enfim!) apresentam-nos as mesmas obras requentadas. Ou, as televisões que podiam substituir milhares de horas de emissão de banalidades; em contracorrente, deviam dar a oportunidade aos novos sinais dos tempos, na dimensão cultural – dessa forma os povos crescem coletivamente! E, noutro registo, os orgãos de comunicação mesmo quando dão antena à literatura, lamentavelmente, enveredam no facilitismo de divulgar os ditos vultos glorificados. Falta a aposta no levantamento de novas valias, que por isso, retardam em afirmar-se, ficando dissolvidos no universo astronómico das edições. Portanto, os críticos literários estão em falta, deviam efetuar um trabalho criterioso de descoberta e destaque de outros valores, que renovem a cultura! (“É a cultura que nos diferencia dos cabreiros” Nietzsche).

9.    CriaPromove: Muitas outras questões ficaram por colocar, contudo, foi para nós um prazer e um privilégio termos “conversado” consigo e termos conhecido um pouco melhor o escritor, o poeta, o dramaturgo, o encenador Carlos Couto Amaral e uma parte da sua obra. Agradecemos a sua participação no nosso projeto e pedimos-lhe que deixe uma mensagem/recado e/ou um desejo final.

Carlos Couto Amaral: Escrevo com empenho, amor, e um estilo que vai ganhando cunho. É a minha parte no jogo literário, a outra deverá ser jogada pelos outros intervenientes. O mesmo é dizer: leiam-me, comentem-me, critiquem-me e fruam – tanto quanto eu o faço.



«(…) os críticos literários
estão em falta (…)»

10. CriaPromove: Escolha por favor um pequeno excerto (não mais do que 10 linhas ou versos) e/ou poema de um dos seus livros ou peças de teatro (publicados ou a publicar) para “aguçar o apetite” dos potenciais leitores. Desejamos todo o sucesso e sorte do mundo pois a sua obra bem o merece! Aceite um abraço da equipa CriaPromove.

Carlos Couto Amaral:

Da obra mais recente,
«ALPINISTA DESCENDENTE», Edições Colibri

         METAMORFOSE DO ESPÍRITO

Borboleta voa no mundo inteligível
o bater de asas em Atenas
causa a tempestade no poema de Lao-Tsé
A metamorfose da lagarta
rasteja até voar
asas atiradas à brisa
corpo à terra
fogo ao coração
Lava a mente
na água-furtada
borboleta em busca
da luz lunar
nas esferas de cristal
asas de Ícaro
na noite de Van Gogh
O bater das pestanas
cria tempestade nas emoções
sabor da novidade
perfume de primavera
a despertar borboletas
(em substituição da andorinha
que sozinha não faz o provérbio)
Tomo-te nos braços elevo-te
ao jardim a cheirar a esperança


CriaPromove
De Portugal para o mundo!

 www.criapromove.com





quarta-feira, 27 de abril de 2016

sábado, 23 de abril de 2016

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Contracapa de Alpinista


Carlos Alfredo Couto Amaral nasceu em Mangualde em 1960. Licenciado em Filosofia. Professor na Escola Daniel Sampaio (Sobreda de Caparica). Mestre na Simbologia e
Estética de Nietzsche. Encenador e dramaturgo, escreveu (G)Estação dos Afetos; Meu Fado quase uma estória pirosa de amor, 2013 (Edição em parceria com José Teixeira e Xico Braga), levadas à cena pelo GITT. Publicou poesia: A Sombra dos Momentos Felizes (Edições Colibri, 2000); Sereno Fluir das Horas (Edições Colibri, 2004); Desflorar da Flor de Sal (Minerva Editora 2010). Nos encontros de professores galegos e portugueses da paz orientou oficina de escrita criativa (2013 a 2015).

Alpinista Descendente é a metáfora da vida. Ascendemos com o ideal aceso no coração. O hábito valoriza o esforço da ascensão, embora quaisquer momentos tragam sentido à existência. Mesmo nos instantes em que nos bastidores desmontamos a cena. Para o alpinista existencial na escalada há a possibilidade da “queda”, ou, a inevitabilidade do ato descendente (até ao arrumar das cordas). Será irónico o título? Se a apologia cuida da ascensão, contudo, este alpinista, à luz Sísifo, também é descendente… o que não deixa de rimar com decadente… (mas a rima é branca).




quarta-feira, 20 de abril de 2016

POSFÁCIO de ALPINISTA DESCENDENTE


 


No silêncio dos dias intensificam-se impulsos, dedilhando as cordas da poesia, entre a ebulição dos sentimentos e as emoções meridionais, num tempo por definir, onde se pincela o lado bom das palavras, formando um tapete para o “Alpinista descendente” onde o poeta toma em si uma multiplicidade de sensações.

Neste tomo de poesia, Carlos Amaral tenta comunicar, fazer passar as suas ideias, aquilo que vai no seu âmago e “as palavras sabem a música”! Quantas letras no fundo de si, em delírio? A força de ser abre diversas portas para o mundo e a necessidade de encontrar a realidade desnudada é outra questão intensa, patente na obra em causa. Procura a normalidade ante a agitação do quotidiano e os seus versos primem essa situação onde o ar parece rarefeito.

A natureza tem uma função apaziguadora, entre o vento, a água, as libelinhas e os nenúfares… o lírio azul, a borboleta e a neve… elementos na caça ao colorido. Imagens fulcrais estas, para nos levar de uma forma mais sublime ao mundo da realidade, no namoro dos arquétipos da natureza.

Pautam-se ritmos, o dedilhar da pele, a passagem dos dedos, o “rio que refresca os pés” e “o horizonte alivia a mente” do poeta. Qual perfeita orquestra pronta para fazer tocar-nos a alma! Todo um corpo mental e físico de sensações “abrindo a imaginação”, elevando um cálice de vinho, bebendo os poemas um a um e nunca serão os mesmos. A poética aqui presente pauta-se por odores coloridos, tentações e inquietações onde os relógios celebram o seu tempo em espiral, segundo a segundo no corpo que oscila no silêncio dos prazeres ao mausoléu do silêncio. Entre tantas sensações qual a sensação de se estar na relação com o mundo?

Neste seu livro “Alpinista Descendente”, avança por um percurso graduado, tomado de energias e impulsos que se vão renovando, na encosta da dúvida, para “encontrar medida à luz da escala reduzida”. Ritmos que o abatimento cardíaco rouba ao silêncio, na ascensão da vida a um arremesso de réstia fria na montanha da existência.

A descrição e imagens que Carlos Amaral usa nos seus trabalhos poéticos são de uma riqueza maior, fogem ao vulgar, imprimindo um manancial de figuras estilísticas, acaso se faça uma leitura atenta da sua obra. O ritual poético concebe um ouvido atento que desperta a atenção do leitor, deixando uma janela aberta no relicário vático.

Metamorfoses de sentido entre as portas invisíveis da poesia e o tempo que possibilita a mudança, por diferentes timbres e aromas de sentido. A inquietação da alma escreve nos laivos do arco-íris, uma panóplia de cores que traduzem a diversidade de sentimentos e emoções, um “isto”, que colhe o “pólen nos apetites da luz”, lugar secreto da interpretação que o amor oculta, discretamente.

Esta poesia ilumina a mente dos leitores, traça realidades ímpares, por vezes “espelhos paralelos”, infundindo o mistério da imagem e dos mitos que são um motivo de reflexão de um aqui cimeiro. O poeta nesta obra apresenta o seu estilo próprio e o traço do “Alpinista Descendente” que transpira de sentidos metafísicos ao tanger da metáfora do ser.

Da leitura sobranceira assiste-se a realidades e prolongamentos da aurora boreal, na decantação das sensações a uma suposta metamorfose do espírito, pautando tempestades platónicas ao crivo de Lao-Tsé, por novas esferas de conceber o mundo; tempestades de sentir e divagações poéticas entre o juízo do gosto que por vezes permite trocar as regras do jogo na relação com os outros. Carlos Amaral no “Alpinista Descendente” realça a importância dos elementos da natureza, entre a palavra e o silêncio, o sol e a lua, ao simples beijo e a melancolia da idade à delicadeza do colibri e o seu triunfo de sorver o mel das flores emplumadas, harmonia e realidades complementares. Neste seu trabalho assiste-se a uma força original, a um fluxo que gera uma nova força, por um princípio filosófico que absorve e nos deixa lançados a novas respostas num lago de desejos e ritmo, poesia de uma nova postura, fugindo às métricas e rimas tradicionais e cheias de monotonia... Grandezas e posturas no seu poema: “Perícia do voo”, onde se “abrem portões ao fundo das sombras”, é este voo, o convite que o Carlos Amaral nos faz, na tentativa de desprendimento dos relógios do tempo, do acaso entre os casos, das resistências, possam ser políticas ou não, bem como aos impulsos que nos assaltam quando menos esperamos. A mente é a central do mundo de cada qual, absorve o que a envolve e a mesma devolve o que não interessa e “devia entregar-me à alegria / que a tristeza é manca / cega de um olho / em luto de algo a perder”… e navega-se entre afetos e fantasia, vezes sem conta confundindo o caminho traçado um dia, carecendo o nome para o completar…

E para onde vamos? E se vamos, porque vamos? Onde é o fim do mundo? Num dos seus poemas magistrais “Intuição poética”, atenta-se à sensibilidade, ao significado, ao verbo com o intuito de comunicar, mitigando o tédio, com a esperança de imprimir a sequência dos aromas… e o Carlos Amaral é “profeta, adivinho da sensibilidade…” e o “poeta é um fragmento das estrelas”… “pedaço de palavra emocionada”! E o que resta do plenário poético? “Intuições” que “amassam o grito à solidão”, sendo esta a volúpia e a companhia, no exílio do encarceramento poético; afinal o que é que está no poeta e o que é que se separou de si?

Sonhos e delicadas especulações… são os trilhos do amor, o deserto e o banquete das sensações e tudo isso confere forma à alma do poeta, apesar das inquietações existenciais a que nos lança, deixando-nos “na ilha do tempo…” onde “o sentimento dá sentido / galga a aridez do deserto / Cala o silêncio no peito…” e “desperta a aurora das emoções” uma nova vertente de conceber o que está em torno daquele que sente.

A poesia de Carlos Amaral conduz-nos a um arrebatamento, pelo puro sentido da sua forma, quando o leitor ou ouvinte se deixa tomar por ela; no traço audacioso da sua escrita, solta um toque especial por cada verso; como a conjugação das notas numa composição, executadas na lira das palavras que bebem da interioridade; o belo enceta na sua poesia uma relação, entrega efusiva de sentimentos e emoções, independentemente da sua natureza, assim, o poeta absorve do princípio do prazer, face à simetria do sentido, um mundo cheio de cadências e pontos de execução que vão dando sentido à sua vida.

Palavras do diário da alma na sinfonia da viagem existencial… escrever é existir! O poeta deixa-nos conceitos do sentir e da imaginação concebendo a sua epopeia filosófica, na destilação do verso, pelo marulhar da metamorfose das formas poéticas, nas ruas do sonho, ao ritmo das situações a que se expõe, guarnecendo a malha de um novo mundo. O trabalho presente é um convite à reflexão filosófica, de caris ontos existencialista e assim se navega nas palavras entre as sensações e a consciência de situação. O momento por cada vez é sempre único, procura-se a essência daquilo que é, no esplendor metafísico das Ideias, à moda platónica! Neste livro assiste-se a uma viagem poética com imensas estações entre o sensível e o inteligível, no diverso das rédeas da estética literária e filosófica. O convite fica feito…

Carlos Amaral está de parabéns por este seu exemplar trabalho “Alpinista Descendente”, fica o convite para a leitura da obra, onde deve ser feita devagar e saboreando o teor dos conceitos e tónus poético.



Tavira, 02 de Janeiro de 2016

Jorge Ferro Rosa