sexta-feira, 27 de outubro de 2017

  1. Estão todos convidados para a peça de teatro, estreia dia 10 de novembro às 19 horas, onde adapto o meu romance Lugar d'Avós.  😊 O lançamento do livro será no dia 12 de novembro às 18 horas no Casino da Trafaria -- cartaz de Paulo Nunes --

sexta-feira, 20 de outubro de 2017


Lugar d’Avós é um romance, biográfico ficcionado, de Carlos Couto Amaral, trazido a público pelas Edições Colibri, onde são recuperados mundos perdidos (etnográficos), e estórias familiares insólitas. A trama aborda as férias terapêuticas, em 1972, de um rapaz junto dos avós numa quinta de Mangualde, na Beira Alta, o que lhe permitiu ultrapassar os maus-tratos paternos, tendo para isso encontrado nos antepassados o acolhimento e o conforto que lhe possibilitaram recobrar e crescer enquanto pessoa.

Deste modo, esta obra efetua uma viagem ritual através do falatório das memórias. Também reconhece que a vida faz-se viajando, pois o Lugar d’Avós representa uma geografia dos afetos, onde o pequeno herói reorganizou a compreensão de si mesmo, permitindo-lhe prosseguir na existência assim desimpedida.

Lugar d’Avós apresenta um toque mágico, hipnótico e ao mesmo tempo reflexivo num espaço onde o coração juvenil desabrochou. Podemos ser pessoas simples e frágeis, mas ganhamos auto estima quando vivemos com resiliência e coragem, ao enfrentar as dificuldades da vida, auxiliados pela compaixão daqueles com quem partilhamos os momentos difíceis.



sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Recensão do “Alpinista Descendente”, de Carlos Amaral – por Tatiana Santos




 Carlos Couto Amaral, poeta? Filósofo? Performer? O tempo e a leitura crítica das suas obras o dirão.
Cabe-me a mim apenas refletir acerca do seu mais recente "Alpinista Descendente", que veio renovar os meus velhos hábitos de leitura, nomeadamente de poesia.

  Após navegar no mar profundo de significados e sentidos que cada poema oferece, após saborear as intensas sensações e sentimentos que as diversas palavras despertam, descobri que a poesia não é um mero exercício linguístico nem somente a mais encantadora maneira de exprimir o que aparenta ser inexprimível. A poesia do "Alpinista Descendente" é uma harmoniosa tentativa de congelar o tempo, por uns instantes, e captar o verdadeiro valor da vida. Mas, o mais incrível prende-se com o facto de Carlos Amaral comunicar as suas profusas ideias e pensamentos por meio de breves e sublimes vocábulos, que ganham cor e vida quando agrupados em "deliciosas" e intrigantes composições poéticas.

  Ainda antes de ler a obra, mal desfolhei a desfolhei, fiquei completamente rendida à original forma e estrutura externa de todos os poemas. À primeira vista este estilo poético, se assim o posso designar, parece ser deveras enigmático. Não obstante, o vazio das páginas é preenchido pela riqueza singular de cada verso. Com efeito, apercebemo-nos que há uma combinação, diria eu, perfeita entre o conteúdo de cada poema e a sua forma, ou melhor, há um fio condutor que percorre todos os poemas e as suas componentes formais. As palavras transparecem a magia da escrita e revelam o que vai na alma de Carlos Amaral, é através delas que o poeta se consegue libertar daquilo que não poderia ser dito de outro modo e, quem sabe, é também recorrendo à poesia que o escritor consegue descobrir-se e reinventar-se a si próprio, no sentido em que nos dá a conhecer a sua posição perante a vida e tudo aquilo que o faz querer viver.

  Assim que me debrucei sobre o livro, encontrei desde logo uma outra característica que me atraiu imensamente: o seu título, que manifesta uma agradável e aliciante sensação. O "Alpinista Descendente", tal como evidenciou Carlos Amaral é uma autêntica metáfora da vida, encontrando-se associada à atividade do montanhismo. O Alpinista busca novos desafios, pretende superar-se a si mesmo, quer chegar mais longe, ou melhor dizendo, mais alto e é neste misto de emoções e objetivos que a sua existência se propicia. Mas, o Alpinista depara-se frequentemente com uma grande quantidade de obstáculos e infortúnios e, consequentemente, nem sempre é possível chegar ao topo da montanha. Há quedas, há medos, há humanidade neste ato que se traduz num modo de viver...E que viver!

 Inicialmente, o Alpinista decide começar a sua escalada e num ato de coragem abraça a sua vida às cordas que o auxiliarão durante a ascensão. Aquando da subida, o vento traz o "Receio", a "Vertigem", as maiores incertezas, mas os elementos naturais apaziguam a viagem e transmitem-lhe confiança. São inúmeras as manifestações naturais que o "Alpinista Descendente" nos apresenta. A Montanha, o Sol, a Neblina, a Chuva, o Arco-Íris, as Nuvens, as Rosas, o Mármore, a Maré, a Lua levam-nos para um mundo paralelo e distante.
No entanto, a ascensão não é uma constante, uma vez que ao dar um "Salto no Escuro", o Alpinista está sujeito à "Queda" e ao "Abismo". Por outro​ lado, outros contratempos vão emergindo. O "Fluxo da Neblina", "O Ouvido da Solidão", a "Melancolia" e o "Sono" são algumas das adversidades que conferem ainda mais valor ao esforço do Alpinista e à força interior que o move.

  Carregado de metáforas e figuras estilísticas que embelezam extraordinariamente este trabalho poético com um carácter filosófico e transcendental, o "Alpinista Descendente" simboliza o caminho do homem nesta realidade que delimita a sua existência. A cada página desabrocha uma nova etapa,  uma experiência diferente, uma luta distinta, uma conquista derradeira,  uma breve derrota, um ideal tremulante, uma metamorfose espiritual, enfim...um novo ser!

  Estando em terra firme, observando aquilo que é fisicamente paupável, o sujeito poético descreve as mais diversas sensações e vertentes da vida, bem como os altos e baixos pelos quais todos passamos, por meio da atividade de um alpinista, que tanto ascende como descende. Ao longo deste caminho, o leitor é capaz de visualizar e sentir verdadeiramente tudo aquilo que é deslindado e cantado pelo poeta, sim cantado, uma vez que tal como declarou Jorge Ferro Rosa, as palavras deste trabalho poético "sabem a música!", e que bela música!

  Por outro lado, é notória a forma como esta obra nos agarra e nos deixa a pensar e, quem sabe, a divagar. Isto deve-se não só à magnífica vivacidade e dinamismo, marcados pela imaginação dinâmica e fugaz e simultaneamente perene de certos elementos, assim como pelo emprego de termos que marcam o próprio sensorialismo da linguagem e de vários recursos expressivos, como também à articulação legítima entre a objetividade e a subjetividade. A objetividade encontra-se presente principalmente no rigor da pormenorização, enquanto que a subjetividade está intimamente relacionada com a expressão de emoções que o eu lírico pretende transmitir, ou metaforicamente dizendo, com a emanação de delírios, desejos e aromas que  embelezam ainda mais esta composição poética.

  A descrição e a criatividade foram das características que mais me impressionaram nesta extraordinária obra, até porque todos os poemas, para além de serem originais e repletos de significado, abrem a mente do leitor, levando-o ao delírio genuíno do conhecimento e da busca pela essência de cada um deles, "Delira/ a mente/ o poema/ a casa/ a cidade", já que o poeta quer "(...) comunicar/ mas é loucura". E sem dúvida que é uma grande e majestosa loucura ir à aventura e levar-nos com ele a "procurar/ nos recantos do bar/ as terras do sem fim".

  Pessoalmente, o poema que mais emoções estéticas me provocou foi a "Intuição Poética", que, após nos encher a alma e o coração, nos convida de imediato a prosseguir com a leitura da obra. Neste tomo de poesia, Carlos Amaral interpreta a atividade e a intuição poéticas de um modo insigne e prodigioso.  O poeta do "Alpinista Descendente" sem dúvida  que "é um fragmento das estrelas/ é a gota do mar/ é a palavra emocionada" e deixa-nos completamente emocionados com tanta pureza e autenticidade que pode ser comparada à beleza do céu estrelado ou ao profundo oceano no qual mergulhamos em sonhos.

 Bem, mas deixemo-nos de metáforas por agora. Depois de percorridas a serra e a montanha, o "Alpinista Descendente" reserva-nos uma chegada "ao fim do mundo em demanda do desejo/ (...) em busca do instinto à flor da pele" e posteriormente somos confrontados com os "Trilhos do Amor", associados a um requintado "banquete de emoções".
Por fim, no seu último poema, o poeta reforça a importância que atribui à chegada de quem "Parte/ na descoberta maior", pois só chega quem realmente parte, quem não está presente e cuja ausência torna presente as recordações e as esperanças pela nova chegada.

  E é assim que termina esta incrível obra de poesia que merece um grande reconhecimento a todos os níveis. Sendo eu uma aluna do extraordinário autor do "Alpinista Descendente" e tendo em consideração o facto de ser uma grande apreciadora de poesia, embora  seja bastante suspeita de certo modo, fica o convite feito para a leitura deste delicioso livro, que como diz o ditado, dá vontade de comer e chorar por mais. Mas talvez o poeta nos queira deliciar e surpreender novamente, isto é, para o nosso bem espero que o escritor se volte a inspirar e a escrever as suas magistrais ideias metafísicas e existencialistas, que contrastam o mundo sensível com o mundo inteligível.

  Resta ainda dar os meus sinceros parabéns a Carlos Amaral por este seu incrível livro "Alpinista Descendente", que deve ser indubitavelmente lido,  relido e bem guardado na consciência de quem o lê.

           Sobreda, 18 de Junho de 2017
                                     Tatiana Santos

domingo, 18 de junho de 2017

Debate de Alpinista na comunidade de leitores do Feijó

  1. Na comunidade de leitores da biblioteca José Saramago do Feijó foi debatida a minha obra, Alpinista Descendente em 17 de junho de 2017. Descobri aspetos interessante sobre modos distintos de ser lido. Foi um momento intimista e fascinante, onde tive ainda ocasião de colocar em performance alguns poemas. Entre muitas surpresas registo o documento da BIA, que não podendo estar presente mandou ler o seguinte:
  2. «Quando pego num livro de poesia, não o leio de fio a pavio, vou folheando, olho para os títulos, leio aqueles que acho mais sugestivos. mais tarde leio outros. Como este é pequeno, já os li todos. A poesia é para se sentir, sem preocupações de entender literalmente o que o poeta escreve. Ele fala através das imagens, de símbolos, de metáforas e com a música das palavras. Neste caso, não posso dizer que entendi todas as mensagens. No global, apercebi-me que todos eles estão impregnados de uma linguagem em que a Natureza está sempre presente. também julgo ter percebido que em grande parte está refletido o sonho, em composição com a realidade, ou seja a vida. Daí o título? Talvez: o alpinista que sobe, sonha, sabendo de antemão que vai ser difícil alcançar o cume, e, atingindo-o ou não, vai confrontar-se com o real (...)» BIA.



sábado, 31 de dezembro de 2016

UTOPIA 500 ANOS

The most tragic form of loss isn’t the loss of security; it’s the loss of the capacity to imagine that things could be different
                        Ernst Bloch, Principle of Hope.

             O que é raro é uma sociedade sã e sabiamente organizada” Tomás More

Abordar a utopia hoje, revisitando a obra com 500 anos de Tomás More, é um modo de avaliar criticamente a sociedade contemporânea, na medida em que esse conceito identifica o espaço do sonho onde se idealiza uma sociedade justa e perfeita que restabeleça a harmonia original. Pretende-se ao evocar a utopia explorar valores e ideais, pretendidos para a construção de um mundo melhor. Sonha-se com um mundo melhor quando o ponto de partida é uma sociedade insatisfatória (com a ausência de justiça e de igualdade). Na utopia há a preocupação com a partilha equitativa da propriedade, dos bens, dos cargos e do tempo. Trata-se, portanto, de idealizar uma sociedade perfeita que não se encontra concretizada em nenhum espaço, deste modo coloca-nos à frente uma espécie de protótipo para a execução do que se pretende concretizar.

Impõe-se neste relatório uma reflexão critica a partir do Congresso Tomás Moro e o sonho de um mundo melhor nos 500 anos da Utopia, efetuado na Universidade Católica, onde daremos destaque, entre muitas outras, às palestras de Luísa Soares, João Duque, Joaquim Melro.

1. Luísa Soares em “O círculo utópico, ficção, realidade” pergunta à partida como pode da ficção proceder uma nova sociedade reformada. Se a utopia trata de um sonho desperto, então evoca o refúgio para o homem abandonado – um sedativo para aliviar a dor – ao recolocar o ideal de uma nova ‘civitate’ que o traga de volta à ordem harmoniosa. Na Utopia de Moro, segundo a conferencista, há uma estratificação de imagens que superlativam o real, a ficção, o possível, o ideal, o imaginário, reconduzindo a outra ordem de realidade, isto é, a uma ilha fora do espaço e do tempo. Constata-se aí uma circularidade entre o real a que se escapa e uma outra realidade em potência que abre espaço à intenção criativa e ao distanciamento. 

Dinamiza-se uma dimensão cinética de escalada no sentido de um maior aperfeiçoamento da liberdade e da justiça, “A Utopia contém dentro de si mesma, a possibilidade de uma outra utopia. Jogos de espaço, jogos de regiões do ser, de modalidades – ficção, irreal, possível, e real. É este jogo que está em causa na utopia. E são estas categorias transcendentais que a caracterizam e a distinguem da ideologia.” Para lá de um método arqueológico, ou construtivista, reivindica-se um método ontológico que retrate os seres que habitam a Utopia, tentando na circularidade dinâmica relacionar o “real”, o “possível” e o “imaginário”. Ou seja, o real possível e o real impossível que ultrapassa as fronteiras do real para dar espaço à criação do espírito humano. “Como pode da ficção proceder uma nova sociedade reformada? Se isso fosse possível, significaria que o que era aparentemente irreal, apesar de o ser, era possível e poderia vir a ser (…) novos meios para atingir a emancipação da humanidade”. 

Desse ‘topos’ sem lugar pode-se criticar o mundo real (sem ser sancionado), pois parte-se de um ponto de vista centrado na fantasia (em alternativa ao real), isto é, um mundo imaginário no qual nunca viveremos. Permitindo dar conta do mundo real também aberto aos mundos possíveis da arte, da ciência e da política. E evoca Italo Calvino nas Cidades Invisíveis, onde Kublai Kan pergunta, se existem as cidades invisíveis, ao que Marco Polo responde, que existem mas têm um segredo, nunca ser possível regressar a elas – logo há uma real impossibilidade epistemológica (inclusive para a utopia?).

2. João Duque parte do já clássico texto de Paul Ricoeur, intitulado precisamente “Ideologia e utopia”, que analisa não apenas a diversidade desses conceitos, mas sobretudo a sua mútua relação, como base fundamental da dimensão política do humano. Considera que Ricoeur relaciona de forma dicotómica utopia e ideologia. A utopia projeta a imagem do real de algures para nenhures, colocando a realidade em questão à maneira de uma alternativa face ao poder estabelecido; isto é, enquanto atitude negativa a utopia despreza a ligação à ação, mas permite a abertura crítica para outra realidade. 

Constatando-se uma crise na fundamentação da política que é paralela à crise dos valores, oscilando entre o exercício do poder pelo poder, face à alternativa viável da compaixão pelo outro. Já a ideologia estabelece uma integração simbólica que passa pela sociedade concreta, procurando legitimar formas de poder, arriscando eventualmente passar pela deturpação do poder real: “A primeira função atribuída à ideologia é a de reproduzir uma imagem invertida da realidade (….) a patologia da ideologia consistia na sua afinidade com a ilusão, dissimulação, a mentira, a patologia da utopia consiste numa loucura inversa” (Ricoeur p. 382 e segs). Se a ideologia remete para a alienação, já o contraponto da utopia representa a abertura à esperança na renovação, sem a desilusão de uma concretização frustrante: “(…) a utopia é aquilo que impede o horizonte de expetativa de se fundir com o campo da experiência. É aquilo que mantém o afastamento entre esperança e tradição” (Ricoeur p. 384). Joga-se aqui a relação entre a ação concreta protagonizada pela ideologia e a expetativa sonhada pela utopia, ou seja, entre o peso do concreto e leveza do ideal.

3. Joaquim Melro, na exegese de Paulo Freire, crê paradoxalmente ser possível o impossível pensar o ser humano sem ser na utopia que corresponde à esperança de querer ser mais. Ou seja, a utopia envolve um compromisso com a praxis de libertação do ser humano que inacabado procura superar o seu estado atual. Na experiência de si no contexto pedagógico “podemos equivocarmo-nos, podemos errar, mentir é que nunca” a historicidade de ser humano envolve a construção veraz do futuro através de uma praxis libertadora que implica sonhá-lo e desenvolvê-lo enquanto ideal prévio. Daí as caraterísticas do professor e do aluno centrarem-se na curiosidade rigorosa, dialógica e argumentativa. A dialética neste duplo encadeamento transforma o mundo a partir da transformação do próprio sujeito humano concreto. 

E o papel da crítica deve desmontar a consciência mágica, ingénua, fanatizada que redunde em egocentrismo. Posto isto, deve-se desenvolver uma relação pedagógica a partir da compreensão para poder vir a julgar e a decidir bem, o que valoriza a dignidade humana. Assim, há abertura ao futuro (“futuridade”) num esforço de nos recuperarmos a nós; o mesmo é dizer, a utopia denuncia o que vai mal em nós e no mundo, apresentando através de uma prática consciente as soluções onde a grandeza ética consiste em fazer emergir o sonho sonhado – o diálogo emerge como uma prática pedagógica ao serviço da solução utópica proposta por Paulo Freire: 

“Uma pedagogia que faça com que os homens e as mulheres, tantas vezes esquecidos de si, se reinventem e permaneçam na utopia do que é são: HUMANOS (…). Uma pedagogia, porque do oprimido, exija que se exerça na esperança e se afirme na autonomia, raiz fundadora dessa praxis que há-de, finalmente, levar a humanidade a (pros)seguir os trilhos da utopia suprema: a liberdade”(Freire,1987,p.52). 

Logo, a utopia implica a pedagogia libertária.

Conclusão: neste congresso, a reflexão da Utopia de Tomás Moro permitiu representá-la como crítica e espelho invertido da realidade vigente. Há uma deslocação da ação para o futuro promissor, passando-se de uma forma da vida desprovida para uma dimensão vivida na imaginação, no sonho e na arte, contrariando o mundo opressivo e injusto. A utopia assume uma axiologia crítica face ao real, possibilitando a abertura ao imaginário. 

Enfim, alguns participantes, como Maria Dovigo, defenderam que a condição humana utópica deve orientar-se para nos tornarmos poetas, enquanto alternativa face ao homem alienado – o que permite relacionar com a obra poética Náutica para Náufragos Desafogados (no prelo): Um mundo melhor não é um mundo ideal / o ideal está aprisionado ao modelo perfeito / é utopia sofrida (Carlos Couto Amaral), sem que tal implique deixarmos permanentemente de idealizar mundos melhores libertadores: das opressões, das alienações e das injustiças.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016