terça-feira, 31 de julho de 2018

Análise crítica de Lugar d'Avós


Lugar d'Avós, uma das mais sublimes obras que podemos encontrar... E porquê sublime? Dever-se-á à força emocional que desabrocha a cada página do livro? Será a escrita de uma beleza ímpar? Ou será que esta história é simplesmente inspiradora e completamente aliciante, levando o leitor a refletir, ponderar e até sonhar, não com a vida da personagem principal, mas com a própria?

Digamos, que são todas estas características que fazem deste romance uma obra exuberante. Pessoalmente, não sou uma grande fã de romances, mas este superou indubitavelmente todas as minhas expectativas, elevando-as ao longo da leitura. Por outro lado, as obras autobiográficas sempre me fascinaram e esta não é exceção. Construir um livro, tendo como referência a nossa imaginação, que nos remete para uma dada personagem, com certas características, e conseguir encaminhá-la até ao coração e à memória do leitor, é fascinante. Não obstante, construir uma obra que transpareça as próprias vivências, recordações e sentimentos, que revele o nosso eu e as suas profundezas é de uma grandeza extrema. É como se fosse possível mostrar, tal e qual, o que vai na nossa alma, no nosso espírito, no nosso âmago, a forma como as pessoas nos tocam, nos afetam ou nos acariciam e contribuem para o nosso desenvolvimento enquanto pessoas, enquanto seres frágeis e simultaneamente fortes que somos. O âmago de um ser é aqui revelado, por meio das suas mais marcantes experiências, decisões e ações. Trata-se da construção de um indivíduo que se vê acorrentado pelas circunstâncias da vida, mas que as encara não como desgostos, desilusões ou tristezas, mas como oportunidades para se conhecer, para se descobrir, para se transformar e edificar a sua figura, para se projetar e se afirmar perante todos e todas as lacunas com as quais se vai deparando.

Mas bom, ainda que seja deveras complicado descrever esta grandiosa obra, deixemo-nos de metáforas… com uma escrita muito bem conseguida e apelativa, que mais se assemelha a poesia, pura poesia, em Lugar d`Avós encontramos um jovem que se confronta com diversas dificuldades, não só ao nível familiar, mas também em termos pessoais e da constituição da sua própria pessoa. São narradas inúmeras histórias e memórias inesquecíveis, que nos levam a mergulhar numa dimensão passada e que nos envolve completamente numa atmosfera de sentimentos e sensações indescritíveis. Mas, este indivíduo, repleto de força, e não se trata aqui de uma força de natureza física, mas algo, diria eu, mais transcendente, consegue encontrar-se e ultrapassar os demais obstáculos, atingindo assim o seu rumo, o seu norte, através do qual busca incessantemente realizar-se, por meio dos seus feitos, obras, concretização de sonhos e objectivos. Porém, só com muita persistência e coragem é possível agir deste modo e iniciar o nosso projecto, sendo precisamente essa umas das mais importantes mensagens que esta obra nos contempla.
Tatiana Santos



terça-feira, 13 de março de 2018

Convido-vos para a apresentação do meu romance, LUGAR d’AVÒS, dia 14 de março às 17:30 horas na Livraria Espaço em Algés (junto às piscinas). Este evento será seguido de discussão da mesma obra na comunidade de leitores dinamizada pela Helena Abreu. 

segunda-feira, 12 de março de 2018

OFICINA DE ESCRITA CRIATIVA NA LIVRARIA ESPAÇO – Algés



Dinamizada por Carlos Couto Amaral

A oficina de escrita criativa terá quatro sessões, nas segundas terça-feira de cada mês das 17 às 19 horas (início em Março). O objetivo desta oficina passa pelo exercício lúdico com jogos de escrita criativa, organizados em torno de uma sequência de técnicas que permitam dar ferramentas e estímulos aos participantes – para a prática da escrita de forma continuada.

Os melhores trabalhos por sessão serão editados no blogue: https://orrisco.wordpress.com/


Plano geral das quatro sessões

1ª Sessão – 13 de março – A escrita poética

-- Jogo de apresentação entre os participantes;

-- Elaboração de um verso a partir de uma fórmula emocional;

-- Poesia vertical a partir de captação de sensações;

-- Da música à escrita;

-- Elaboração de um exercício coletivo Cadáver esquisito.



2ª Sessão – 10 abril – O conto elíptico (microconto)

-- Exercícios em torno de algumas figuras de estilo: a metáfora, a comparação…

-- Da imagem (postal, pintura, foto…) à narrativa;

-- A estrutura do conto elíptico;

-- Elaboração de contos elípticos.



3ª Sessão – 8 de Maio – Personagem e enredo

-- A criação de personagens (técnica de captação de caraterísticas da personagem);

-- O papel do enigma e do segredo (Jogo do saco dos segredos);

-- Os dilemas éticos (Exemplo e resolução do dilema de Anne).



4ª Sessão – 12 de junho – A narrativa e o conto

-- Analisar um conto “modelo”;

-- Criar um mapa de ações;

-- Produção de um pequeno conto, a partir da condição “E se…?”

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Recensão crítica de José Esperança


<Lugar D'Avós
. Foi uma viagem extraordinária a um passado que se viveu durante os anos quarenta até ao início dos anos oitenta. De uma forma simples, mas com forte carga emocional, as histórias fluem com a suavidade de um ribeiro na serra. É agradável viajar até um tempo que não volta mais. Eu vivi de certa forma também esses momentos, embora em outra região de características bem diferentes. Tenho saudades dos cheiros, das carroças, da simplicidade e riqueza de uma forma de viver que não volta mais.
O teu livro tem uma ternura extraordinária. A descrição de todos esses momentos vividos, (partindo do principio que a memória foi bem "seduzida", usando uma expressão do livro na parte inicial), leva-nos a conhecer, de um certo prisma que é o teu, um casal que vive num paraíso, em verdadeiro contacto com a natureza e aos olhos dos dias de hoje, pode-se aplicar a expressão muito "new age", em contacto e harmonia com o universo…

O livro teve um forte prefácio, que foi a peça de teatro. Em mim, que assisti à peça, logo que cheguei a casa iniciei cheio de curiosidade a leitura ávida do livro. Apesar do tema principal já ser conhecido, devido ao momento teatral, a leitura revela-nos outros segredos e uma perspetiva mais íntima dos acontecimentos nesse Verão.

Tem passagens extraordinárias e de uma riqueza etnográfica imensa. Pela forma singela com que escreves e descreves esse Verão de férias terapêuticas. Na minha maneira de ver, começas de uma forma simples, indo no decorrer da obra elaborando progressivamente a forma de escrita e evidenciando o confronto Pai/Avô.

Talvez pretendas justificar a tua preferência pelo teu avô, colocando acima de teu pai? Se somente relembrarmos as coisas menos boas de uma pessoa ou relação é fácil sobrepormos outra relação onde não façamos esse exercício.

E se tivesses ficado na quinta? Certamente que esse lugar mágico, tal ilha de Avalon envolto em brumas, perderia parte da magia... certo? E tu serias uma pessoa diferente, se calhar sem o extraordinário percurso que fizeste.

Mas, a verdade é que viveste e esses momentos, que certamente foram determinantes no teu caminho. Provavelmente estabelecendo um trilho (que me perdoe o idiota do Skinner, pois eu acredito em trilhos na vida), que foi permitir um aumento da tua sensibilidade e superior capacidade de análise. Pois viveste o confronto entre dois mundos bem reais e conseguiste encontrar um caminho entre os dois.

Foi um prazer ler este livro! Foi de facto uma viagem no tempo e na história! Ainda bem que colocaste em forma escrita e o partilhaste com aqueles que tenham a sensibilidade de entender a Alma da natureza e a sua poesia.

"...quero ensinar-te o que são momentos felizes"

"...era uma vez um Bispo, não sei mais que isto"

Um abraço>>

José Manuel Esperança

segunda-feira, 13 de novembro de 2017